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Contato

Aqui apresentaremos diversas poesias de diversos poetas, tais como: Karl Marx, Bertold Brecht, C. A. Trilussa, Cecília Meireles, Anderson Leux e logo acrescentaremos novos poetas.


Ousadia - Karl Marx


Totalidade - Karl Marx


Os que Lutam - Bertold Brecht


O Analfabeto Político - Bertold Brecht


Nada é Impossível de Mudar - Bertold Brecht


Privatizado - Bertold Brecht


Quem se Defende - Bertold Brecht


Perguntas de um Trabalhador que Lê - Bertold Brecht


Epitáfio Para Gorki - Bertold Brecht


A Máscara do Mal - Bertold Brecht


Na Guerra Muitas Coisas Crescerão - Bertold Brecht


Quem Não Sabe de Ajuda - Bertold Brecht


Acredite Apenas - Bertold Brecht


Os Esperançosos - Bertold Brecht


De Que Serve a Bondade - Bertold Brecht


A Cruz de Giz - Bertold Brecht


As Margens - Bertold Brecht


Defeito - Bertold Brecht


O Gato Socialista - C. A. Trilussa


Mulher ao Espelho - Cecília Meireles


A Magia do Poder Supremo - Anderson Leux



 

Totalidade - Karl Marx

Já não posso ocupar-me tranqüilamente
Do que se apodera fortemente da minha alma
Já não posso permanecer em paz
E lanço-me ao trabalho.
Tudo quisera conquistar,
Todos os favores dos deuses
E possuir o saber
Abraçar toda a arte
 

Ousadia - Karl Marx

É por isso que preciso de tudo ousar
Sem nunca ter descanso
Não fiquemos calados
Sem nos querermos realizar
Não nos submetamos
Silenciosos e crédulos
Ao jugo humilhante
Pois que nos restam o desejo e a paixão
Pois que nos resta a ação.
 

OS QUE LUTAM - Bertold Brecht

"Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis."

O ANALFABETO POLÍTICO - Bertold Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do 
aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia 
a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o 
Menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, 
pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.
 

NADA É IMPOSSÍVEL DE MUDAR - Bertold Brecht
 

"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar."

PRIVATIZADO - Bertold Brecht
"Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário. E agora não 
contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à 
humanidade pertence."
 

SOBRE A VIOLÊNCIA - Bertold Brecht
A corrente impetuosa é chamada de violenta
Mas o leito do rio que a contem
Ninguém chama de violento.

A tempestade que faz dobrar as betulas
É tida como violenta
E a tempestade que faz dobrar
Os dorsos dos operários na rua?

QUEM SE DEFENDE - Bertold Brecht
Quem se defende porque lhe tiram o ar
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legitima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando vocês se defendem porque lhes tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre
Não lhe é permitido se defender.

PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ - Bertold Brecht
 

Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis.
Arrastaram eles os blocos de pedra?
E a Babilônia varias vezes destruída--
Quem a reconstruiu tanta vezes? Em que casas
Da Lima dourada moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros, na noite em que
A Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma esta cheia de arcos do triunfo
Quem os ergueu? Sobre quem
Triumfaram os Cesares? A decantada Bizancio
Tinha somente palácios para os seus habitantes? Mesmo
na lendária Atlântida
Os que se afogavam gritaram por seus escravos
Na noite em que o mar a tragou.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?
César bateu os gauleses.
Não levava sequer um cozinheiro?
Filipe da Espanha chorou, quando sua Armada
Naufragou. Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu alem dele?

Cada pagina uma vitoria.
Quem cozinhava o banquete?
A cada dez anos um grande Homem.
Quem pagava a conta?

Tantas histórias.
Tantas questões.

EPITÁFIO PARA GORKI - Bertold Brecht

Aqui jaz
O enviado dos bairros da miséria
O que descreveu os atormentadores do povo
E aqueles que os combateram
O que foi educado nas ruas
O de baixa extração
Que ajudou a abolir o sistema de Alto a Baixo
O mestre do povo
Que aprendeu com o povo.

A MÁSCARA DO MAL - Bertold Brecht
 

Em minha parede há uma escultura de madeira japonesa
Máscara de um demônio mau, coberta de esmalte dourado
Compreensivo observo
As veias dilatadas da fronte, indicando
Como é cansativo ser mal

NA GUERRA MUITAS COISAS CRESCERÃO - Bertold Brecht
 

Ficarão maiores
As propriedades dos que possuem
E a miséria dos que não possuem
As falas dos guias
E o silêncio dos guiados.

QUEM NÃO SABE DE AJUDA - Bertold Brecht
 

Como pode a voz que vem das casas
Ser a da justiça
Se os pátios estão desabrigados?
Como pode não ser um embusteiro aquele que
Ensina os famintos outras coisas
Que não a maneira de abolir a fome?
Quem não dá o pão ao faminto
Quer a violência
Quem na canoa não tem
Lugar para os que se afogam
Não tem compaixão.
Quem não sabe de ajuda
Que cale.

ACREDITE APENAS - Bertold Brecht
Acredite apenas no que seus olhos vêem e seus ouvidos
Ouvem!
Também não acredite no que seus olhos vêem e seus
Ouvidos ouvem!
Saiba também que não crer algo significa algo crer!

OS ESPERANÇOSOS - Bertold Brecht
Pelo que esperam?
Que os surdos se deixem convencer
E que os insaciáveis
Lhes devolvam algo?
Os lobos os alimentarão, em vez de devorá-los!
Por amizade
Os tigres convidarão
A lhes arrancarem os dentes!
É por isso que esperam!

DE QUE SERVE A BONDADE - Bertold Brecht
 

1
De que serve a bondade
Se os bons são imediatamente liquidados, ou são liquidados
Aqueles para os quais eles são bons?
De que serve a liberdade
Se os livres têm que viver entre os não-livres?
De que serve a razão
Se somente a desrazão consegue o alimento de que todos necessitam?
2
Em vez de serem apenas bons, esforcem-se
Para criar um estado de coisas que torne possível a bondade
Ou melhor: que a torne supérflua!
Em vez de serem apenas livres, esforcem-se
Para criar um estado de coisas que liberte a todos
E também o amor à liberdade
Torne supérfluo!
Em vez de serem apenas razoáveis, esforcem-se
Para criar um estado de coisas que torne a desrazão de um indivíduo
Um mau negócio.

A CRUZ DE GIZ - Bertold Brecht
 

Eu sou uma criada. Eu tive um romance
Com um homem que era da SA.
Um dia, antes de ir
Ele me mostrou, sorrindo, como fazem
Para pegar os insatisfeitos.
Com um giz tirado do bolso do casaco
Ele fez uma pequena cruz na palma da mão.
Ele contou que assim, e vestido à paisana, anda pelas repartições do trabalho
Onde os empregados fazem fila e xingam
E xinga junto com eles, e fazendo isso
Em sinal de aprovação e solidariedade
Dá um tapinha nas costas do homem que xinga
E este, marcado com a cruz branca, é apanhado pela SA.
Nós rimos com isso.
Andei com ele um ano, então descobri
Que ele havia retirado dinheiro
Da minha caderneta de poupança.
Havia dito que a guardaria para mim
Pois os tempos eram incertos.
Quando lhe tomei satisfações, ele jurou
Que suas intenções eram honestas. Dizendo isso
Pôs a mão em meu ombro para me acalmar.
Eu corri, aterrorizada. Em casa
Olhei minhas costas no espelho, para ver
Se não havia uma cruz branca.

AS MARGENS - Bertold Brecht

Do rio que tudo arrasta se diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem

DEFEITO - Bertold Brecht

O Vosso tanque General, é um carro forte
Derruba uma floresta esmaga cem
Homens,
Mas tem um defeito
- Precisa de um motorista
O vosso bombardeiro, general
É poderoso:
Voa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante
Mas tem um defeito
- Precisa de um piloto.
O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar
Mas tem um defeito-
Sabe pensar
 
 

O GATO SOCIALISTA - C. A. Trilussa

Um gato, conhecido socialista,
No fundo, espertalhão matriculado,
Estava devorando um frango assado
Na residência de um capitalista
Eis então que outro Gato apareceu
Na janela que dava para área:
– amigo e companheiro, também eu
faço parte da classe proletária!
Melhor do que ninguém, conheço as tuas idéias.
Estou mais que certo pois
De que dividirás o frango em duas partes,
uma para cada um de nós dois!

– Vá andando, resmunga o reformista,
Nada divido seja com quem for,
Em jejum, sou de fato socialista,
Mas, quando como, sou conservador.

Mulher ao Espelho - Cecília Meireles
 

Hoje, que seja esta ou aquela, 
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta. 
Já fui loura, já fui morena, 
Já fui Margarida e Beatriz,
Já fui Maria e Madalena. 
Só não pude ser como quis.
Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira,
a moda, que vai me matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus,
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.
Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho. 

A Magia do Poder Supremo - Anderson Leux

Do alto da montanha se observa o limite da “selva”

Onde “canibais” se alimentam do trabalho forçado

De quem tenta mover o mundo na contrária direção

Um formigueiro se espalhará durante o tempo sem fim

E os sentinelas do nada: uma matilha ruim

Éa imagem pobre da “selva”

Esculpida por aqueles que acham que pensam

E se esquecem de tudo...

Como quem perde a memória

Ao ir de encontro à parede

A magia se confirma e se prolonga

E não esperaremos que o feiticeiro tire o encanto das trevas

A “selva” está em guerra

E a consciência é um fuzil

Capaz de tirar do poder

Aqueles que querem ser Deus